Nós da redação BOONDE News, nesse caso eu, Rubens Aleixo, vou escrever como o COVID-19 transformou a minha vida. Mostraremos a você que ainda por algum motivo não acredita no perigo dessa doença ou em sua existência que esse é um erro, e que você precisa rever a sua maneira de pensar. Com isso, queremos contribuir para que de alguma forma o nível de conscientização dessa doença cresça e mais vidas possam ser salvas.

São Paulo, 31 de julho de 2020, após semanas de internação minha irmã Maria Helena Aleixo de Brito tem alta médica e vamos felizes para casa. Uma felicidade que infelizmente terá um desfecho triste nas semanas posteriores, pois atrás dessa felicidade mascarada escondia-se o anjo da morte.

Ao chegarmos em casa, eu e meus dois sobrinhos começamos a passar mal. Até ai tudo bem, pois parecia mesmo um problema de estresse pelo momento que estávamos vivendo. Minha irmã havia sido diagnosticada com COVID-19. E uma nova maratona iniciou-se, era de casa para o hospital e vice versa, e infelizmente no dia 09/08 tivemos o desfecho mais triste de nossas vidas. Minha irmã com 67 anos nos deixou e com isso passamos a viver um drama que mais de 107.879 famílias já viveram, enterro feito sem velório, sem acompanhamento familiar. Algo surreal para nós que amamos e temos na família a base para tudo. Uma profunda dor, uma doença implacável que parece que além de corroer nossas forças tem o poder devastador de transformar a vida daqueles que ela atinge.

Dois dias após essa ocorrência (enterro de nossa irmã), iniciou-se um processo de infecção, e meu corpo não conseguia, mesmo sendo medicado, reduzir a febre que me acometia. Momentos tensos e o sentimento de que não teria condições de seguir sem ajuda médica especializada nos fez procurar a UBS do Bairro Piraporinha na Capital Paulista. Fomos encaminhados para o Hospital de Campo Limpo para que exames fossem realizados. Dada a gravidade constatada fui imediatamente transferido para a UTI no dia 12/08 (quarta-feira), sendo medicado e assistido diariamente pela equipe médica do Hospital Municipal de Parelheiros/SP até nosso pronto restabelecimento no dia 16/08.

Foto: Hospital Municipal de Parelheiros

A sinalização da morte, o sentimento de impotência, o grau de submissão perante a um inimigo invisível, forte, monstruoso e impiedoso me fez repensar e a dar ainda mais valor a algo que para muitos se perdeu, seja por desolamento, seja por deixarem de acreditar na vida e na família: a presença constante de Deus em nosso coração.

No leito de UTI tivemos tempo para refletir sobre nossos acertos, e claro, nossos erros, e hoje novamente aqui podendo fazer aquilo que gosto - levar a informação, buscando sempre ser imparcial no trato dos assuntos relevantes da sociedade, posso novamente respirar na frente do computador e dizer: eu venci a COVID-19.

Quero fazer a defesa do SUS, a defesa de todos os profissionais de saúde pela presteza, pela solidariedade e principalmente pelo compromisso e dedicação de cada um para com a vida de todos os enfermos desse país.

Foto: Ala interna Hospital Municipal de Parelheiros/SP

Não haveria como deixar de fechar esse texto sem dedicar palavras para a equipe de médicos e principalmente às equipes de enfermeiros do Hospital Municipal de Parelheiros/SP. Vamos usar o nome do enfermeiro Erick e da enfermeira Jeniffer para agradecer por toda a atenção, todo o desprendimento e o respeito para com a nossa pessoa nos momentos difíceis de internação na UTI.

Foto: Equipe de enfermeiros do Hospital Municipal de Parelheiros/SP

Nós do BOONDE News que sempre defendemos classes profissionais, agora estaremos encampando mais essa classe. Estaremos lado a lado em sua luta por melhores salários, por melhores condições de trabalho e pela manutenção da dignidade de todos os profissionais desse setor. Devemos lembrar sempre que é desse profissional preparado que todos nós em algum momento da vida, ao descermos pelo rio divisor “vida e morte”, iremos precisar para nos trazer de volta para superfície seca e segura. A você profissional da saúde todo o nosso respeito e admiração.

Por isso, se você conseguiu chegar até aqui em sua leitura, queremos que você repense sua maneira agir, de se cuidar, caso possa, “fique em casa”, não ajude a propagar essa doença. Eu sou Rubens Aleixo e acredito em um país melhor.