Mais de 3 mil bancários foram demitidos este ano, sendo 1.928 somente em setembro, segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de Assis e região, essa enorme redução afeta não apenas a categoria, mas toda a sociedade, já que a economia paralisa. “Sem dinheiro, a população não vai as compras e a economia não gira. Além disso, os funcionários que estão na ativa ficam sobrecarregados com os serviços, tendo que acumular funções e a população, fatalmente, mal atendida e, assim, estão cada vez mais propensos ao adoecimento”, ressalta o secretário geral, Fábio Escobar.

Para ele, o saldo negativo de postos de trabalho em setembro, superior ao acumulado de todos os meses anteriores de 2019, é inadmissível e foi fortemente impactado pelos planos de demissões voluntárias do Itaú, Caixa e BB. “Esses números escancaram a falta de responsabilidade social dos bancos, que apenas no primeiro semestre lucraram R$ 50,5 bilhões, crescimento de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado”, critica Escobar.

Como concessões públicas, os bancos deveriam oferecer retorno à sociedade na forma de crédito a juros civilizados, tarifas não abusivas e criação de vagas de empregos. Porém, em um cenário de crise, com mais de 12 milhões de desempregados, no qual ainda assim o setor financeiro segue batendo recordes de lucratividade, os bancos vão na direção contrária. “Mesmo cobrindo com folga todos os gastos com pessoal apenas com a receita de tarifas cobradas dos clientes, seguem cortando postos de trabalho. O Sindicato está realmente preocupado com essa realidade que prejudica a todos”, finaliza.