© Sérgio Lima/Poder360 Abraham Weintraub durante sua posse no Ministério da Educação. O economista ficou 1 ano e 2 meses no cargo. Foi o 10º ministro de Bolsonaro a cair

O Ministério das Relações Exteriores usou os dados do passaporte diplomático de Abraham Weintraub –concedido a ele para o período em que foi ministro da Educação– para solicitar à Embaixada dos Estados Unidos 1 visto de entrada no país.

O pedido foi feito em 18 de junho, mesma data em que Weintraub anunciou que estava deixando o governo, o que implicaria a perda do passaporte diplomático. A informação consta em documentos divulgados via pedido de LAI (Lei de Acesso à Informação).

O ex-chefe da Educação foi indicado pelo governo brasileiro para 1 cargo na direção do Banco Mundial, com sede em Washington. Mas a entrada de brasileiros nos Estados Unidos está proibida devido à pandemia da covid-19. Entre as exceções para esse veto estão os ministros de Estado, cargo que Weintraub deixou de exercer momentos depois de desembarcar em Miami, em 20 de junho.

O Itamaraty informou à embaixada norte-americana que Weintraub desejava sair do país com a maior “brevidade possível” e que não havia registro de devolução do passaporte diplomático do ex-ministro.

Segundo os documentos, Weintraub pediu a ajuda do Itamaraty para entrar nos EUA para assumir o cargo no Banco Mundial. Na solicitação à embaixada, o Itamaraty diz que a viagem de Weintraub era necessária. A pasta não informa, contudo, se a solicitação de visto foi aceita pelo governo dos EUA. Passado mais de 1 mês, o posto na diretoria do Banco Mundial ainda segue vago. Weintraub aguarda a votação de 1 conselho formado por 9 países.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a atuação da pasta se deu em conformidade com os procedimentos habituais. “Trata-se de procedimento habitual em casos de designação de representantes do governo brasileiro junto a organismos internacionais”, afirmou.