O economista Affonso Celso Pastore, ex-diretor do Banco Central (de 1983 a 1985), disse que o Brasil não terá recuperação econômica em formato de “V”, que, graficamente, simboliza uma queda rápida da economia seguida de recuperação também célere.

“Eu acho que a economia se recuperar numa certa hora. Em V, não tem essa hipótese na frente. Pode ser em U, com a parte de baixo um pouco mais longa, e talvez o lado direito um pouquinho mais curto do que o lado esquerdo. Pode ser um W”, afirmou.

© Marcos Oliveira/Agência Senado – 1º.out.2019 O economista Affonso Celso Pastore. Na foto, durante comissão de medida provisória que transformava o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) em UIF (Unidade de Inteligência Financeira)

O discurso é diferente do presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, que disse que o país inicia uma recuperação em V.

Em entrevista ao Uol, Pastore disse que o presidente Jair Bolsonaro que “faz graça” com a pandemia e com a questão do isolamento social. “Temos um presidente que olha para isso, faz graça, etc. Mas não podemos deixar morrer, a vida humana tem um valor extraordinário e nós temos de dar valor à vida humana”.

Disse que a recessão é completamente diferente de outras crises que o mundo viveu e que é preciso adotar estratégias de afastamento social.

“Primeiro, a martelada, fechar a economia, fazer um lockdown muito rígido para poder achatar o contágio. No 2º momento, começa-se a dançar, no sentido de que, se o ritmo do contágio aumentar, reduz-se a atividae, se o ritmo de contágio cair, abre-se a economia um pouco mais”, afirmou Pastore.

O economista também disse que esteve na Itália em janeiro. Segundo ele, o país negou o problema no começo até tomar proporções maiores. Ele reforçou da necessidade em proteger vidas com o isolamento social.

“Não há uma escolha a fazer entre salvar vidas, com o isolamento ou salvar a economia. Um presidente responsável tem que fazer as duas coisas”, declarou.