O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou parecer nesta 4ª feira (3.jun.2020) ao STF (Supremo Tribunal Federal) manifestando-se pela não abertura de investigação contra a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) por suposto tráfico de influência.

O crime foi atribuído à congressista em queixa apresentada pelo PT em abril e, segundo o partido, deu-se a partir das conversas que ela teve com o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro no WhatsApp.

O diálogo mostra Zambelli tentando convencer o ex-juiz a permanecer na pasta e a aceitar a mudança no comando da Polícia Federal. Isso se daria em troca de uma possível indicação de Moro a uma vaga no Supremo por parte do presidente Jair Bolsonaro.

Moro deixou a Esplanada por não concordar com mudanças na PF. Saiu acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferência, que teria insinuado a atitude na reunião ministerial de 22 de abril.

A ação rejeitada por Aras não faz parte do inquérito que investiga a acusação do ex-ministro da Justiça contra Bolsonaro de suposta interferência política na PF.

Na queixa-crime, os petistas também citam questionamentos, em outro diálogo, sobre investigações contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Para os autores da reclamação, as conversas “revelam uso inadequado do cargo de parlamentar federal para a realização de interesses pessoais, bem como aproveitando de suas relações para conseguir manobrar as suas vontades junto à administração federal”.

Leia mais e veja as imagens do diálogo denunciado pelos petistas aqui.

Apuração preliminar

Aras, entretanto, determinou a abertura de uma Notícia de Fato. A informação é do portal G1. O procedimento interno é destinado à investigação dos supostos fatos relatados.

“Na eventualidade de serem reunidos indícios robustos de possível prática de ilícitos, serão adotadas as medidas legalmente cabíveis”, escreveu.

Assim, portanto, o chefe do MPF (Ministério Público Federal) é quem deve avaliar a suposta conduta da congressista, de maneira preliminar.