© Isac Nobrega/PR Bolsonaro e Maia encontraram-se no Planalto: ''Conflitos, brigas geram insegurança'', disse parlamentar

Horas após uma videoconferência com empresários da indústria em que fez duras críticas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tendo dito que o deputado “parece que quer afundar a economia para ferrar o governo”, o presidente Jair Bolsonaro recebeu o parlamentar no Planalto. Após a reunião, o chefe do Executivo suavizou o discurso. “Voltamos a namorar. Está tudo bem com Rodrigo Maia”, frisou.

O encontro, de acordo com o presidente da Câmara, ocorreu após os ministros da Casa Civil, Walter Braga Netto, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, terem feito o convite para ele conhecer o novo gabinete de crise do governo federal. Durante a visita, Bolsonaro propôs se encontrar com ele.

Segundo Maia, a reunião com o presidente serviu “para manter o diálogo e não foi para nos dividir”. Ele ainda afirmou que o objetivo da conversa foi “sentar à mesa e discutir caminhos” para enfrentar a crise do novo coronavírus, além de “tentar construir pontes” entre o Executivo e o Legislativo. O deputado não rebateu a acusação de Bolsonaro de que ele quer “ferrar o governo para, talvez, tirar um proveito político lá na frente”. “O que eu disse a ele é que nós deveríamos encontrar os pontos que nos unem”, afirmou Maia, em coletiva à imprensa. “Acho que o diálogo e a busca de caminhos em conjunto geram maior esperança aos brasileiros neste momento. Conflitos, brigas geram insegurança. Nós podemos ter essa convergência para salvar vidas, salvar empregos.”

Maia defendeu a escolha do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) para relator da MP 936, que flexibiliza contratos de trabalho. O nome do parlamentar foi criticado por Bolsonaro. “Todas as matérias que ele relatou na Câmara, na minha presidência, foram aprovadas por unanimidade. Pode ter certeza de que é um grande relator e vai fazer um grande trabalho na MP 936”, assegurou.

Os deputados devem mudar o texto para incluir “demandas da sociedade”, mas as alterações não devem gerar grande impacto orçamentário, segundo o presidente da Casa. “Acho que escopo principal estará 100% garantido, e alguns acréscimos, que não podem gerar nenhum grande aumento de despesa. Eu acho que essa deve ser nossa preocupação”, destacou.