Antes da epidemia de coronavírus chegar, a gente estava discutindo etarismo (preconceito contra a idade). Falávamos sobre as pessoas sofrerem preconceito no trabalho por serem mais velhas, por exemplo. Sim, isso é um absurdo. Mas acontece. Só que tudo pode piorar. Veio a pandemia. E, agora, estamos vendo gente adotar uma postura que parece dizer: “deixa velho morrer”.

Veja também:

PARAGUAÇU PTA TERÁ GASTO MILIONÁRIO PARA ABASTECER SUA FROTA (BOONDE News)

Vamos ouvir governadores, diz Bolsonaro após críticas (Estadão)

R$ 626.380,50 É O VALOR PARA TERMINO DO PAÇO MUNICIPAL APROVADO ONTEM NA CÂMARA (BOONDE News)

Bolsonaro esnoba pesquisa e é indelicado com repórter (Notícias ao Minuto)

BURACO EM VIA PÚBLICA e a irresponsabilidade das autoridades (BOONDE News)

RUA HIDEKICHI KUROIWA – 47 anos no abandono (BOONDE News)

 

Essa postura já foi adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, 65. E agora, foi a vez de Roberto Justus, 64, tratar os mais velhos (como se eles mesmo fossem jovem) como estatística, como “uns velhinhos ai”, em tom mais que desrespeitoso.

 

Em áudio trocado em um grupo com o apresentador Marcos Mion (que vazou no domingo e é verdadeiro, o próprio Justus admitiu a autoria) ele faz afirmações absurdas sobre a pandemia. Exemplo: “quem entende mesmo de estatística vê que os números são irrisórios. E quem morre mesmo são os velhinhos. E, mesmo dos velhinhos, só 10%, 15% deles morrem.”

Clique AQUI e assista o vídeo.

Roberto Justus trata pessoas como números, como ativos da bolsa de valores. Sim, sua maior preocupação, ele diz, é com a economia. Claro, todos estamos preocupados com isso. Mas, atenção, existem vidas em risco. E todas elas (independente da idade) são importantes. Depois do áudio vazar. Justus publicou um esclarecimento em seu Instagram. Reafirmou que falava de estatísticas. E disse, por exemplo, que a fome mata mais no Brasil, assim como acidentes de carro. Disse também que sentia muito pelas mortes. Mas continuou falando de estatísticas.

Veja bem, Roberto Justus, atrás desses números estão pessoas. Essa pessoa poderia ser o seu pai. E pode, inclusive, ser você. Como também pode ser eu, ou qualquer um que lê esse texto. O vírus, como se sabe, não poupa ninguém. E, mesmo se poupasse, a gente não decide que uma parte da população pode morrer, desde que não afete a economia.

Justus, que no áudio trocado com Mion repete várias vezes a palavra “velhinhos”, afirmou no esclarecimento que está em isolamento. Que bom. Então, ele poderia entender que todas as medidas tomadas mundo afora (como o isolamento social, fechada de fronteiras, de comércios etc) tem esse objetivo: fazer com que os casos de coronavírus parem de crescer em ritmo muito rápido. Isso para ajudar, inclusive, pessoas como ele.